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19 abril 2008

Criatividade

A palavra criatividade é usada diariamente por milhares de pessoas, sem que estas saibam o seu verdadeiro sentido. Muitas são as vezes em que após uma pessoa ter feito um desenho muito bonito, com cores muito fortes, se ouve dizer “que desenho tão criativo!”. Mas, a criatividade é muito mais do que isto, muito mais do que um mero desenho, pintura, poema, que por serem diferentes se denominam desde logo por criativos. A criatividade é uma qualidade do ser humano, e esta pode ou não ser estimulada, desenvolvida e aperfeiçoada. Isto significa que todos nós nascemos potencialmente criativos, mas o desenvolvimento desta capacidade depende dos factores de vida pelos quais todos passamos. No entanto, sempre que se fala em criatividade tem de se ter em conta o processo pelo qual se tem que passar – processo de criação, e sobre o qual Ana Bela Mendes diz que “A criatividade enquanto potencial que toda a gente possui em maior ou menor grau, está ligada ao processo de criação”[1], ficando explicito que esta dissociação nunca pode ser feita. David Best refere que embora o “processo criativo não possa ser encarado inteligivelmente como logicamente distinto do produto criativo. Isto é, o processo só pode ser identificado por meio do produto (…) para avaliar (…) a criatividade temos que nos concentrar no produto, isto é no que permanece na superfície”[2]. Contudo, a definição de criatividade continua sem ser consensual, pois muitos autores definem-na de forma diferente. Porém, todo o acto criativo pressupõe a realização de algo novo que se adapte a uma necessidade qualquer, de forma a resolver alguma questão. Isto significa que o indivíduo que consiga combinar ideias que até então nunca tinham sido “misturadas”, dando origem a um novo conhecimento, está a inovar, ou seja, criou algo de novo, e isto faz com que este resultado seja encarado como criativo. Winnicott diz que “…é através da percepção criativa, mais que qualquer outra coisa, que o indivíduo sente que a vida é digna de ser vivida”[3]. A criatividade permite solucionar desafios e problemas que surgem no dia-a-dia, o que faz com que esta resolução criativa tenha um real valor utilitário face a algo; estamos então perante uma definição muito complexa e definida de forma diferente por esferas distintas, mas sabe-se que o produto criativo tem de estar apropriado a uma determinada situação.

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[1] Art and Science
[2] A Racionalidade do Sentimento
[3] O Brincar e a Realidade

02 agosto 2007

Criatividade

«Qualquer explicabilidade sobre criatividade tem que reconhecer que, num sentido, há algo necessariamente inexplicável, de tal modo que mesmo os que são mais criativos se sentem perdidos ao explicá-la ou ao dizer como é que lhes surgiram as ideias. Por isso o compositor Elgar fala de apanhar as suas ideias musicais a partir do ar; Mozart escreve sobre as suas ideias: "Quando e como surgem eu não sei, nem posso forçá-las". Gauss escreve a propósito de um problema aritmético que lhe escapou durante anos: "Consegui, finalmente, há dois dias, não à custa dos meus esforços dolorosos, mas, sim pela graça de Deus. Aconteceu o enigma ser solucionado de modo tão súbito como o da luz intensa de um relâmpago". E quando perguntaram a Picasso: "O que é a criatividade?", respondeu: "Não sei e se soubesse não lhe diria". »

David Best in A Racionalidade do Sentimento