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23 fevereiro 2008

Ambiente VS. Hereditariedade

Algumas características hereditárias e o meio ambiente trabalham juntos para determinar a personalidade, ou seja há uma equilíbrio entre os factores ambientais e os factores adquiridos hereditariamente ( já assim o dizia Piaget ). Isto não quer dizer que uma criança tenha que ficar para sempre atrelada à sua formação genética, pois um gene apenas fornece a probabilidade de um traço de caracter, não é uma garantia. Então diz-se que a natureza afecta a criação e a criação afecta a natureza. A melhor forma de estudar estes dois factores é de analisar dois gémeos verdadeiros, pois terão concerteza traços de caracter mais idênticos do que outro tipo de irmãos. Estes traços são os que provavelmente aparecem na herança da hereditariedade. Os gémeos criados por famílias diferentes em meios diferentes adquiriram ao longo da vida uma diferença substancial de comportamentos. Com toda a certeza que uma criança gémea de outra sorrirá com frequência se o meio ambiente e a família aonde está a ser criada é calma, e lhe responde sempre com boas palavras e sorrisos, reforçando então a disposição alegre da criança. Se o gémeo desta criança estiver integrada numa família aonde reine um ambiente demasiado repressivo e protector, se calhar ele não sorrirá tão frequentemente. Isto significa que nós estamos sujeitos a experiências diárias que podem modificar o nosso temperamento e carácter.

08 janeiro 2008

A Vontade de Comunicar

Desde muito cedo a criança começa a tentar comunicar com os que lhe são mais próximos, e a tentar expressar as suas ideias para que os seus diversos intentos sejam compreendidos, e se possível atendidos. Desde logo, com os primeiros balbuciares típicos dos bebés, as crianças demonstram sinais de interacção com o adulto que a rodeia; sorri e palra quando está feliz, chora, resmunga e grita sempre que algo não está bem. A linguagem gestual é um recurso comunicativo que muitas crianças utilizam, pois é o principal apoio daquelas que ainda possuem um léxico muito limitado. A tensão dos seus músculos, as suas cóleras, os seus gritos, as suas lágrimas, o seu sorriso, o seu olhar, os seus gestos, a sua postura corporal, a sua mímica, constituem decerto fortes mensagens às quais os pais tentarão concerteza dar resposta. Então é importante que se refira a importância que a linguagem gestual tem no desenvolvimento da criança: na sua capacidade de comunicar, de se expressar e obter satisfação dos seus desejos e necessidades quando ainda não “domina a palavra”. Os pais/educadores são como que o elo de compreensão entre o que a criança representa gestualmente e o que realmente elas pretendem, pois quem melhor do que eles para conhecer e compreender o filho (ou educando). Quando uma criança sente que os pais ou educadores estão a dar-lhe atenção e a tentar entendê-la, esta criança terá um maior sentimento de confiança, e alargará consequentemente os próprios laços de afecto com estes. Após passar a simples linguagem gestual (pois esta é usada eternamente por todos nós em consonância com a linguagem falada) os pais e os educadores, ou quem está diariamente com a criança, têm um papel fundamental nas restantes aprendizagens de comunicação, quer a linguagem falada, quer a linguagem escrita.

Piaget, considera que a linguagem falada apresenta três consequências essenciais do desenvolvimento mental: a socialização da acção, ou seja, a possibilidade que a criança tem em verbalizar com outras pessoas; a internalização da palavra que se prende com o aparecimento do pensamento propriamente dito, confirmado pela linguagem interna e por um sistema de signos; e por ultimo a internalização da acção, a qual mais do que ser puramente preceptiva e motora, será agora uma representação intuitiva por meio de imagens e experiências mentais.
A aquisição da linguagem falada é um processo que se dá naturalmente, sem “ensinamentos” formais, contínuo e gradual e é de extrema importância para o desenvolvimento global da criança, assim como é importante no seu desempenho na escola e na própria comunidade. Na aquisição da linguagem falada os pais são detentores de uma verdadeira responsabilidade, pois cabe primeiramente a estes a “obrigação” de estimular a sua criança, sem a apressar ou tecer-lhe criticas que não sejam construtivas. Os pais que demonstrem demasiada ansiedade face às primeiras palavras dos seus filhos, e que os corrijam incessantemente, mesmo quando vêem que as crianças ainda não dominam na perfeição este tipo de linguagem, irão criar-lhes sentimentos de “não ser capaz” o que pode levar a uma regressão ou estagnação na aprendizagem da linguagem falada, podendo até levar a uma inibição que se prolongue por outros campos de aprendizagem. Então deverão ser os pais os primeiros a dar tempo para que se dê uma evolução nesta aprendizagem, sem pressionar as crianças. Deverá também ter-se em conta que para o desenvolvimento harmonioso da linguagem é necessária uma integridade anatómica e funcional de todos os órgãos que fazem parte tanto do processo de recepção como do de emissão. Basta uma malformação ou uma lesão de um desses órgãos para a criança ter dificuldades. Em caso de haver qualquer problema com a criança, cabe aos pais, criar um certo envolvimento de cooperação e diálogo entre os que contactam com essa criança, nomeadamente com a/o educador caso a criança já frequente alguma creche ou jardim-de-infância, podendo desta forma responder de forma mais ajustada ao problema apresentado por esta criança. Por último, e para que se perceba a importância dos pais e da escola no desenvolvimento global da linguagem, aparece a linguagem escrita. Embora possa parecer descabido ou até pretensioso da minha parte, a linguagem escrita está presente desde a mais tenra idade. Desde muito cedo a criança convive em casa com o código escrito: quando a mãe lê na lata as instruções de preparação do leite, quando ao mãe ou o pai consultam a agenda ou a lista telefónica, quando o avô lê a revista ou o jornal. Na escola mais uma vez a criança tem contacto com o código escrito sempre que a professora lê uma história, por exemplo. Cabe aos pais mais uma vez em consonância com a creche ou jardim de infância, caso a criança frequente, proporcionar de um modo natural, funcional, lúdico e afectivo, imensas situações de contacto com a linguagem escrita (livros, revistas, placares com informações, folhetos, etc.. Há pois, uma grande familiarização com o código escrito que decerto influencia a criança motivando-a para um dia aprender a ler e a escrever.

21 julho 2007

Frases e Pensamentos

"A Escola deve apoiar-se nas experiências vividas
pela criança no seio da família e crescer
gradualmente para fora da vida familiar;
deve partir das actividades que a criança
vivencia em casa e continuá-las... É tarefa
da escola aprofundar e alargar os valores
da criança, previamente desenvolvidos
no contexto da família.”

in Educar a Criança
John Dewey, 1897

“É por volta dos 4 ou 5 anos que...eles querem
conhecer o seu corpo, os seus órgãos, para conhecer
e afirmar o seu sexo, para tentar compreender
as diferenças entre rapazes e raparigas.”

in A Sexualidade dos Seus Filhos

Prof. Marcel Rufo

“A auto - estima da criança depende da
qualidade das relações que existam
entre esta e aqueles que desempenham papeis
importantes na sua vida. A criança tem necessidade
de se sentir valiosa e digna de amor, e esta
necessidade não acaba na infância.
Sentir-se ou não amada influenciará
definitivamente o seu desenvolvimento.”

in Será feliz uma criança no infantário?
Colecção Crescer

“A inteligência espacial nasce da acção
que a criança exerce sobre o mundo”

in Educar a Criança

Howard Gardner, 1983

"A Creche tem que ser vista através de interesses
afectuosos e sociais da mãe. Toda a comunidade,
e o clã incluído, têm que se implicar na creche"

in Ensaios sobre a Educação II
João dos Santos

"Os pais, que se lamentam porque um
brinquedo foi escangalhado cometem um
erro considerável, que demonstra a sua
ignorância acerca de um fenómeno
importante: os bocados dos brinquedos
escangalhados têm ainda mais valor para
a criança do que os brinquedos inteiros,
são-lhe muito úteis durante muito tempo"

in A Criança e a Expressão Dramática
(Entrevista de François Dolto, Psicanalista de crianças)

“... O potencial de desenvolvimento de
um contexto pré-escolar depende da
extensão em que os adultos supervisores criam
e mantém oportunidades para o envolvimento
das crianças numa grande variedade de actividades...”

in Educar a Criança

Urie Bronfenbrenner,1979

" A arte diz-nos sempre alguma
coisa acerca do mundo em que vivemos,
mesmo que não fale de assuntos históricos e sociológicos"

in A Definição da Arte
Umberto Eco

“ O conhecimento não provém,
nem dos objectos, nem da criança,
mas sim das interacções entre as crianças e os objectos”

in Educar a Criança

Jean Piaget

"Uma criança de dois anos, por suas condições,
não pode copiar um círculo,
embora algumas crianças dessa
idade sejam capazes de copiar uma linha.
Com efeito, as garatujas não são
tentativas de retratar o meio visual infantil.
Em grande parte, os próprios rabiscos
baseiam-se no desenvolvimento físico
e psicológico da criança, não em alguma
tentativa de representação"

in Desenvolvimento da Capacidade Criadora
Lowenfeld e Brittain